Avaliação prostática e Câncer de próstata

O que é a próstata? Apróstata é um órgão que faz parte do sistema urogenital masculino e encontra-se logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Tem um tamanho variável e o seu volume aumenta com a idade. A função da próstata é produzir uma boa parte do líquido seminal (que é exteriorizado na ejaculação) mantendo a viabilidade dos espermatozóides que são produzidos nos testículos.
Pelo fato da próstata englobar a uretra (canal que comunica a bexiga ao meio externo), o seu crescimento benigno pode causar sintomas urinários. Estes sintomas podem ter características obstrutivas (hesitação miccional, intermitência do jato, jato miccional fino, esvaziamento vesical incompleto) ou irritativas (polaciúria, urgência miccional, noctúria) para o paciente.
 
Importante !!!
O câncer de próstata, na grande maioria das vezes, é ASSINTOMÁTICO.
O crescimento benigno da próstata é que leva o paciente a manifestar os sintomas urinários. Isso porque as regiões da próstata que causam compressão da uretra e geram sintomas são as zonas centrais (zona de transição e zona central).
Diferentemente, o câncer de próstata acomete a zona periférica e por isso, não causa sintomas urinários nas fases iniciais. Essa região pode ser examinada com o toque retal. Daí a importância de realizarmos o exame, que poderá surpreender um tumor na zona periférica da próstata, mesmo que não haja nenhum sintoma específico.
 
Como é realizada a avaliação prostática?
O  exame deve ser realizado com o intuito de diagnosticar o câncer de próstata em estágios cada vez mais precoces. Consiste em basicamente 2 passos:

  1. exame de sangue (PSA = do inglês “prostate-specific antigen” ou antígeno prostático específico)
  2. exame de toque retal

 
O exame de PSA não é câncer-específico. Isso que dizer que, todo homem que tenha próstata, terá uma quantidade circulante de PSA. No entanto, em alguns casos de câncer de próstata, esses níveis aumentam além de um valor esperado e isso indica que pode haver alguma alteração.
O toque retal é realizado no consultório médico, por um especialista (Urologista) e faz parte do rastreamento para o câncer deste órgão. Nele, é possível sentir áreas de diferentes consistências que podem indicar algum problema. Assim como o PSA, também não é possível fazer diagnóstico de câncer de próstata somente através do toque retal.
O exame que faz o diagnóstico de câncer retal é a biópsia prostática, na qual são retirados alguns fragmentos da próstata e estes são analisados pelo patologista que procura células malignas.
 
O que há de novo na avaliação prostática?
Recentemente muitos avanços têm sido feitos na tentativa de detecção e tratamento do câncer de próstata. Hoje, existem calculadoras desenvolvidas no principais centros de Urologia do mundo que avaliam a chance do paciente ser portador de câncer de próstata apenas com seus dados clínicos.
Além disso, desenvolveram um marcador para o câncer de próstata, muito mais específico do que o PSA. O “PCA3” (do inglês “prostate cancer antigen”, ou antígeno do câncer de próstata) é um marcador genético específico para o câncer de próstata. Diferentemente do PSA que é “específico da próstata” este marcador é “específico para o câncer de próstata”. Dessa forma, a triagem dos pacientes que deverão ser submetidos a biópsias de próstata, tornou-se mais eficiente.
 
A partir de qual idade devo realizar a avaliação da próstata?
As diversas entidades médicas, nacionais e internacionais, têm opiniões diferentes com relação ao início das avaliações. No entanto, a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), AUA (“American Urological Association”) e NCCN (“National Comprehensive Cancer Network”) concordam que a pacientes possuem parentes com câncer de próstata, devem iniciar antes daqueles sem história familiar. Ao redor dos 40 anos de idade, é recomendável os pacientes realizarem um exame de PSA e a depender dos fatores de risco, devem já iniciar as consultas periódicas.
 
Com que frequëncia devo realizar a avaliação prostática?
A avaliação da próstata deve ser realizada anualmente. Caso seja surpreendido um tumor de próstata após um ano da avaliação prévia, normalmente não leva a piora do prognóstico da doença. Esse tempo não é suficiente para que um tumor de próstata localizado venha a apresentar-se avançado, o que prejudicaria o tratamento desta doença.
 
Dr Alvaro A. D. Bosco

 

 

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