Patela

Dr. Eduardo em visita ao Prof. Fulkerson (maio/2012) na UCONN (Universidade de Connecticut). Um dos idealizadores das técnicas de transferência da TAT em pacientes com mal alinhamento patelar, e um dos maiores pesquisadores em Ligamento Patelo-Femoral do mundo.

A patela é um osso tipo sesamóide (que fica no meio de um conjunto tendinoso), com formato triangular, e localizado na frente do joelho. Possui no pólo superior a inserção da musculatura anterior da coxa (Quadríceps) e no pólo distal a origem do Ligamento Patelar. Tem como funções a melhora do movimento de flexo-extensão (polia) e proteção às estruturas internas. É um componente fundamental do chamado aparelho extensor do joelho.         
Possui conexões com praticamente todas as estruturas articulares, sofrendo assim ação de forças multidirecionais, que quando não bem equilibradas podem gerar sobrecargas e conseqüentemente condropatias ou luxações. Outro fator que influi na biomecânica patelar é o alinhamento do membro inferior (normalmente com valgo discreto) e o ângulo do aparelho extensor (ângulo Q).

Na face voltada para o interior do joelho existem múltiplas facetas para articular com a tróclea do fêmur, sendo a lateral a maior. Estas facetas, tal qual a superfície óssea em contato, são revestidas pela cartilagem articular, o que permite o deslizamento patelo-femoral.
Durante a flexão do joelho partindo da extensão total, a patela encontra-se inicialmente “livre”, e começa a encaixar na tróclea do fêmur conforme a progressão do movimento. A anatomia troclear permite uma união perfeita (tipo chave-fechadura). Conforme a flexão aumenta, o contato ósseo torna-se maior, e a pressão nas facetas articulares cresce proporcionalmente. Quaisquer alterações nas forças atuantes sobre a patela, ou imperfeições nas superfícies ou formato ósseo, podem precipitar o aparecimento de lesões na cartilagem.  
As alterações na biomecânica articular podem ter origem genética (anatômica) ou traumática.
- Síndrome patelo-femoral (condromalácia patelar): trata-se de um “amolecimento” anormal da cartilagem articular da patela, causado por alterações na estabilidade ou no trajeto patelar sobre o fêmur, por motivos mecânicos ou anatômicos, e que pode evoluir para a quebra na sua integridade (rachaduras) e perda de substância (falhas). Atinge em média 15 a 33% da população adulta e 21 a 45% dos adolescentes.  A denominação Síndrome Patelo-Femoral parece mais adequada para a situação, pois o tecido condral é desprovido de terminações nervosas, e a dor normalmente é causada pelo fator causal da sobrecarga/lesão de cartilagem.
O diagnóstico é clínico, podendo ser comprovado por exames de imagem (RNM). Acomete desde jovens até adultos, e os sintomas normalmente estão relacionados com atividades esportivas iniciais, ou laborativas que exijam agachamentos ou longos períodos em pé ou sentado.
Os sintomas de dor devem ser cuidadosamente analisados sendo a sobrecarga óssea subcondral, ou a existência de um mal alinhamento, com tensões ou estiramentos das estruturas ligadas à patela, a sua causa principal. Atualmente as alterações vasculares e a formação de neuromas na retinácula têm sido motivo de muitos estudos, e a análise cuidadosa desta estrutura é obrigatória. A idéia básica é analisar o causador da quebra da HOMEOSTASE patelo-femoral.
Pela pouca vascularização do tecido cartilaginoso, não há uma reciclagem satisfatório em suas estruturas, e os processos cicatriciais não conseguem recuperar o tecido lesionado. Sendo assim, é fundamental que se fale em ESTABILIZAÇÃO ao invés de cura no tratamento da condromalácia.
A estabilização consiste em analisar a causa da sobrecarga e corrigi-la. Para isso a fisioterapia e os exercícios físicos bem orientados são fundamentais.
Alguns recursos medicamentosos são interessantes. Os chamados CONDROPROTETORES que são os compostos com Sulfatos de Glicosamina/Condroitina e outras substâncias, são PROTETORES de cartilagem existentes, apresentando pouca ou nenhuma atuação nas áreas lesionadas. Deve ser usado como uma “vitamina de cartilagem”, e é usado com freqüência pela equipe médica responsável pelo site.
O principal recurso “clínico” utilizado é o HIALURONATO DE SÓDIO. Trata-se de um tratamento com infiltrações seqüenciais (entre 3 a 5) para melhorar a lubrificação e nutrição  intra-articular, melhorando a vitalidade e o movimento patelo-femoral (diminui o atrito). Comprovado cientificamente como superior ao tratamento via oral e pode ser utilizado também em casos de artrose do joelho.
O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) tem sido amplamente divulgado, porém ainda com resultados escassos na literatura médica. Sua ação visa estimular o crescimento de células novas, além de proporcionar melhora nos sintomas de dor e no inchaço articular.
Além destes, os medicamentos sintomáticos podem ser utilizados. O uso excessivo de anti-inflamatórios podem interferir nos processos cicatriciais e deve ser preterido pelos analgésicos.
Em casos de lesões importantes, com atrito intenso ou desvios na posição ou movimento articular, pode-se optar por uma artroscopia para regularizar a lesão de cartilagem e se necessário aumentar/diminuir a atuação de forças que possam estar influenciando internamente na gênese da patologia. Caso haja um mal alinhamento patelar importante, alguns procedimentos maiores podem auxiliar. As cirurgias para modificar a posição da tuberosidade anterior da tíbia (TAT) - anteriorização / medialização / distalização e a medialização patelar com reconstrução do ligamento patelo-femoral medial  são as mais utilizadas, porém, repetindo, a indicação deve ser precisa para que não haja procedimentos desnecessários ou incompletos.
                                      
 

 

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