Fístula Arteriovenosa para Hemodiálise (FAV)

Fístula Arteriovenosa para Hemodiálise (FAV)

O que é uma FAV/fístula arterio venosa?

A FAV é uma anastomose (conexão) entre uma artéria fina e uma veia periférica também fina e superficial. É feita cirurgicamente mais frequentemente nos membros superiores, de preferência no antebraço não dominante – esquerdo nas pessoas dextras e direito nos canhotos.

Muitas vezes é confeccionada utilizando a artéria radial, já que temos outras artérias que irrigam a mão, como a ulnar.

Quanto mais distal for realizada melhor, de modo que um maior número de veias possam se desenvolver e maturar, oferecendo assim inúmeros locais de punção e tenha mais locais para realizar outras fístulas se necessário. Normalmente as fistulas do cotovelo desenvolvem uma rede vascular restrita e ocasionalmente podem dificultar a circulaçao da mão.

A fístula arteriovenosa (FAV) é o acesso vascular preferido para o tratamento de hemodiálise, para aqueles que tem insuficiência renal, pela sua facilidade de utilização e pelos poucos riscos que apresenta comparativamente com as outras opções.

O que são artérias?

Artérias são vasos sanguíneos que saem do coração e vão ramificando-se sucessivamente, cada ramo tem menor calibre que o anterior, até se tornarem em arteriolas e depois capilares, irrigando todo o organismo.

São vasos resistentes e muito elásticos, acostumados com a alta pressão gerada pelo coração. À palpação, verifica-se que as artérias pulsam. O pulso ocorre por causa da dilatação da artéria ao empurrar o fluxo sanguíneo ao ritmo dos batimentos cardiacos. Quando tem um sangramento proveniente de uma artéria, são jatos bem fortes.

A sua principal função é transportar e distribuir o sangue rico em oxigénio – sangue arterial – a todas as partes do organismo. O oxigénio que confere ao sangue arterial a sua cor típica vermelho vivo.

O que são veias?

As veias também são vasos sanguineos. Ao contrário das artérias, as veias transportam sangue vindo de todas as partes do corpo para o coração.

As paredes das veias são bem finas e frágeis. Isto porque o sangue dentro delas não está sob pressão. O sangue retorna ao coração de diversas formas e forças, a gravidade ajuda, o vácuo relativo que existe quando o coração relaxa e através da pressão positiva transmitida pelas artérias e a ação dos musculos (panturrilha por exemplo). Nos membros inferiores devido à distância e para vencer a gravidade, as veias têm válvulas que abrem e fecham direcionando o fluxo, facilitando a sua ascenção e impedindo que este volte para trás.

O sangue nas veias flui com menos pressão, então se tiver uma lesão o sangramento não é em jato.

As veias transportam sangue venoso. Este sangue encontra-se saturado de gás carbônico que resultou da atividade celular. Este gás é levado aos pulmões para ser eliminado durante a fase da expiração. A sua presença no sangue torna-o vinhosoo, vermelho escuro.

Que tipos de FAV existem?

Como regra geral, cada artéria é acompanhada por uma ou duas veias que se denominam de veia satélite. Tal como as artérias, as veias também se situam profundamente. Porém nos membros, além das veias profundas que acompanham as artérias, encontramos veias superficiais que se distribuem na região subcutânea em forma de rede.

Para a criação da fístula utiliza-se uma artéria do membro superior e uma veia superficial.

Existem várias fístulas possíveis, mas os três tipos mais comuns são.

No punho:

  • FAV rádio-cefálica (mais frequente)
  • FAV ulnar-basílica (rara)

No cotovelo:

  • FAV bráquio-cefálica

O que é a maturação da FAV?

O processo de arterialização das veias não é um processo imediato. Leva o seu tempo.

Utilizar uma fistula muito cedo leva à sua perda. Isto porque as veias ainda não estão preparadas para serem puncionadas.

O tempo de maturação da FAV é variável, mas em média considera-se que sempre que possivel uma FAV seja utilizada depois do dois meses após a sua confecção.

Se por um lado algumas fistulas ao fim deste tempo já desenvolveram uma rede venosa exuberante, outras demoram meses. Isto depende das características do individuo e de doenças que podem estar associadas, como é o caso da Diabetes.

Durante o processo de maturação, devem ser feitos alguns exercícios que ajudam a dilatar e a fortalecer as veias. 

Durante este tempo se for necessário realizar hemodiálise, devem ser utilizados os catéteres centrais tomo forma de acesso à circulação sanguínea.

Quais são as vantagens da FAV?

  • Ausência de tubos e catéteres penetrantes na superfície corporal
  • Uso normal do braço fora das sessões de hemodiálise
  • Não há necessidade de curativos (exceto logo após a hemodiálise)
  • Baixo risco de infecção e trombose.
  • Acesso simples e rápido à circulação sanguínea.

E as desvantagens?

  • Necessidade de punção
  • Necessidade de fazer a hemostasia (curativo e compressão para parar de sangrar)
  • Mau aspecto do braço devido à hipertrofia das veias e cicatrizes dos locais puncionados
  • Necessidade de tempo para a sua maturação
  • Risco de má permeabilização em caso de hematoma, por exemplo

 

Procedimentos relacionados

  • DESATIVAÇÃO DE FÍSTULA ARTERIOVENOSA
  • FÍSTULA ARTERIOVENOSA /CDL
  • FÍSTULA ARTERIOVENOSA C/ ENXERTO-PTFE
  • FÍSTULA ARTERIOVENOSA SIMPLES
  • IMPLANTE ASH SPLIT CATH
  • IMPLANTE CDL
  • IMPLANTE PERMCATH
  • IMPLANTE TENCKHOFF
  • RETIRADA ASH SPLIT CATH
  • RETIRADA CDL
  • RETIRADA PERMACATH
  • RETIRADA TENCKHOFF
  • SUPERFICIALIZAÇÃO FÍSTULA ARTERIOVENOSA
  • TROMBECTOMIA PTFE

Fonte: Amato, ACM. Fístula Arteriovenosa para Hemodiálise. In book: Procedimentos Médicos: Técnica e Tática, Edition: 2, Chapter: 22, Publisher: Grupo Gen, Editors: Alexandre Campos Moraes Amato, pp.117-122

Localização: 
Artérias e veias de membros superiores
Cuidados pós procedimento: 

Imediatamente após e durante as primeiras horas, deve-se verificar se o curativo se mantém limpo e seco, cuidando precocemente de uma hemorragia, que é raro acontecer.
A partir do momento em que a FAV foi realizada não se deve:

  • Avaliar a pressão (PA) no braço da FAV.
  • Dormir sobre o braço da FAV.
  • Utilizar roupas e objetos apertados. Se a FAV é no punho, não usar relógio nesse braço.
  • fazer punções, punções para exames devem ser feitas no outro braço
  • Administrar medicação no braço da FAV

As veias do braço da FAV só devem ser manuseadas por enfermeiras que trabalhem no centro de diálise. Só elas têm o conhecimento e a experiência para puncionar.
A verificação do frêmito deve ser feita diariamente, pelo menos de manhã e à noite. Em caso de diminuição ou ausência, deve-se massajar a região da FAV e entrar em contato com seu Centro de Diálise.

Como é realizado: 

A FAV deve ser confeccionada, de preferência, num centro cirúrgico em regime de hospital dia, por um médico especialista em cirurgia vascular.
Geralmente é feita com anestesial local. É uma cirurgia relativamente simples que demora em média 60 minutos.

Indicação: 

A necessidade de hemodiálise em pacientes com insuficiência renal crônica é a indicação mais frequente para realização de fístula arteriovenosa.

Resultado/Objetivo: 

O que é que acontece quando se liga uma artéria a uma veia?
Entendendo as principais diferenças entre veias e artérias, pode-se facilmente deduzir: vão ocorrer alterações importantes nas veias que têm ligação direta com a artéria. Estando sujeitas à pressão forte e constante de uma artéria, vão dilatar, tornando-se mais salientes e fáceis de puncionar. Por um mecanismo adaptativo chamado de arterialização da veia, vai ocorrer espessamento das paredes venosas, conferindo-lhe assim maior resistência. 
Este é o objetivo fundamental da fístula (FAV): o desenvolvimento de uma rede venosa superficial, constituida por veias dilatadas e resistentes, com elevado fluxo sanguíneo, capazes de suportar repetidas punções ao longo dos anos.
A fístula também influencia:

  • a coloração do sangue, que fica mais claro devido à mistura de sangue venoso e arterial
  • em caso de lesões, o sangue sai com pressão em jatos intermitentes, como nas artérias.
  • o tempo de hemostase que é mais longo.

A comunicação entre a veia e a artéria causa um tremos típico chamado de frêmito que se sente quando se palpa a FAV.
O frêmito é a sensação de movimento que o sangue gera ao passar na anastomose e que se pode sentir (à palpação) e ouvir (à ausculta) sobre a FAV e região circundante e dá uma ideia da qualidade e funcionamento da FAV.

Preparação: 

Quando é previsto que mais cedo ou mais tarde a pessoa vai necessitar de hemodiálise, deve-se preservar os vasos sanguinêos do seu braço não dominante. Assim, não devem ser realizadas punções para coletas de sangue, administração de medicação ou outro fim nos braços. Sempre que precisar de sangue para exames utilize as veias da mão.
No momento da confecção da FAV, dependendo da situação específica do doente em causa, o médico poderá prescrever medicação apropriada. Também pode suspender momentaneamente a medicação anti-hipertensiva com o objetivo de manter um bom fluxo sanguíneo e evitar a hipotenção, que é um fator de risco para a trombose e perda da FAV. Isto porque o fluxo de sangue ao longo da anastomose se torna muito lento.

 

Tipo do procedimento: 
Cirúrgico
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