Infarto do Miocárdio

Entrevista com a Prof. Dra. Marisa Amato sobre Infarto do Miocárdio:

1- O que é o infarto do miocárdio? Como se manifesta?

R- É a morte de uma região do coração, causada pela falta de chegada de sangue para irrigá-la. Pode manifestar-se, mais frequentemente com dor no peito, muito intensa, com ou sem irradiação para membros, pescoço ou região epigástrica, com ou sem outros sintomas como sudorese, náusea, palpitação, tontura e perda dos sentidos. 

2- Qual a idade mais propícia para sofrer um infarto?

R- Quanto maior a idade, maior é o risco de um infarto, porém quanto mais jovem o paciente, mais perigosa é a doença e com mais chance de ser fatal. O idoso no decorrer da vida estimula o aparecimento de  circulação colateral, que é uma adaptação para proteger o coração, quando existe lento e progressivo crescimento da aterosclerose. Essa circulação pode suprir a irrigação de uma artéria comprometida, não deixando que o tecido do coração sofra tanto, na eventualidade de uma obstrução ou espasmo de uma artéria importante.

3- Quais doenças/dependências podem levar ao infarto? Explique.

 Os fatores de risco para o infarto, podem ser classificados em três grupos: irremovíveis, controláveis e removíveis.

  • Irremovíveis – são aqueles que não podem ser retirados. São fatores inerentes ao indivíduo como idade, sexo, antecedentes familiares, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e alterações já existentes, mesmo que ainda ocu
  • Controláveis – são fatores que podem ser controlados, seja com medicamentos, ou com mudança do estilo de vida. É o caso da hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes, estresse, obesidade e outros.
  • Removíveis – estes fatores, como o nome sugere, dependem da vontade do indivíduo e somente dele para que sejam definitivamente afastados. É o caso do tabagismo, do sedentarismo e dos maus hábitos alimentares (qualidade, quantidade e freqüência de ingestão).

O tabagismo é o maior vilão de todos. Apesar de se saber o quanto faz mal à saúde, de um modo geral, não exclusivamente ao coração, ainda assim a prevalência de fumantes na população geral está em torno de 25%. Do ponto de vista da coronariopatia o cigarro acelera o processo e desencadeia eventos agudos através da liberação da nicotina que acelera o ritmo cardíaco e eleva a pressão arterial podendo levar a espasmos, principalmente em artérias comprometidas e do alcatrão que lesa a parede do endotélio.

A dislipidemia se for tratada chega até mesmo a reduzir o grau de estenose das artérias comprometidas, entretanto, o LDL colesterol, se elevado, acelera o processo através do seu depósito nas placas ateroscleróticas. Quanto mais baixo o colesterol, menor o risco de um evento cardiovascular.

Cada vez mais se comprova o impacto benéfico das medidas preventivas contra a aterosclerose. De nada adianta tratarmos as manifestações coronárias se não impusermos mudanças de hábito radicais. Os vasodilatadores e a própria revascularização são paliativos. O verdadeiro tratamento está na adoção de um estilo de vida saudável.

4- Pode-se confundir dor torácica com o infarto? Quanto tempo dura a dor?

R- Sim. A região do tórax é muito inervada e sensível. Um exercício muito intenso, um movimento brusco e muitas outra doenças podem causar dor nessa região. O tempo de duração é variável de minutos a horas.

5-  A pessoa que sofreu um infarto poderá levar uma vida normal?

R- Pode e deve. Vida normal eu entendo com hábitos saudáveis.

6- A vida moderna contribui para o aparecimento do infarto?

R- Sim.Tanto pela longevidade, quanto mais uma pessoa vive, maior a chance de desenvolver aterosclerose, quanto pelo estilo de vida moderno, que na conquista do conforto, acaba tornando os indivíduios mais sedentários, comendo mais e de maneira errada e levando à diabetes, hipertensão e dislipidemias.

7-  Infarto agudo do miocárdio e parada cardíaca são a mesma coisa? 

R-Não. Parada cardíaca, pode ocorrer por vários motivos, o infarto é um deles, mas qualquer outra doença que leve à morte, causa parada cardíaca.

8-  Exercícios físicos podem ser praticados por pessoas cardíacas ou que sofreram infarto? 

R-Sim e são muito benéficos se forem feitos com orientação médica e supervisão de profissionais capacitados.

9-  Como prevenir um infarto?

R- Primeiro lugar conhecendo a si próprio, controlando a própria saúde, quero dizer, sabendo seus níveis de glicemia, colesterol, pressão arterial e mantendo-os sempre dentro dos níveis recomendado. Praticando regularmente com intensidade adequada atividade física, comendo para viver e não vivendo para comer, quero dizer escolhendo os alimentos saudáveis nas quantidades suficientes, mantendo o peso dentro da normalidade. Não fumando, administrando o estresse da vida moderna, procurando ter horas de laser e tendo um bom relacionamento social.

10-  As pessoas que tiveram infarto, após o tratamento adequado estão ‘curadas’ e não precisam mais de acompanhamento

R- Não estão curadas. O infarto é apenas a manifestação clínica e localizada da arteriosclerose, que é uma doença sistêmica e progressiva, que acomete as artérias de todo o corpo. Quem já teve um infarto tem maior risco de ter outro, por isso o controle dos fatores de risco mencionados anteriormente, devem ser mais rigorosos e para a vida inteira.

11-  Ao sentir os sintomas do infarto, quais os primeiros socorros que devem ser prestados à vitima até a chegada do resgate?

R- Deve-se dar aspirina.

12-  Um aparelho desenvolvido no Brasil pode detectar um infarto. Qual sua opinião? 

R-Aparelho como esse existe há muito tempo, só que  ligado a uma única central. Para dizer a verdade eu mesma já tive em meu consultório, só que na época o paciente precisava ligar o telefone para transmitir seus dados na hora de qualquer evento. A proposta desse é estar ligado ao GPS e conectar-se à equipe de atendimento mais próxima. Não sei que condições esse projeto tem de funcionar em nosso meio. É interessante para pacientes que são muito doentes, mas não são úteis para pessoas em atividades normais e que desconhecem ter a doença.

 

Entrevista publicada originalmente na revista APM de Piracicaba

 

Entrevista Especial INFARTO DO MIOCÁRDIO by alexandre884

 

0
Sem avaliações