Pé diabético

Uma das maiores causas de amputação no Brasil

A você paciente, nossos cumprimentos. Se está lendo este pequeno texto, isto significa que está interessado na sua saúde. Para se aprofundar no assunto ou avaliar a sua situação, passe em consulta com um cirurgião vascular.

 

A Diabetes é uma das doenças mais comuns na atualidade, atingindo cerca de 9% da população mundial. No Brasil as pesquisas indicam prevalência de 5%, podendo chegar a mais de 20% após os 50 anos de idade, sendo um pouco mais comum em mulheres. Em 2012, a Federação Internacional da Diabetes estimou em nosso país 13,4 milhões de doentes. Além do impressionante número, chama a atenção o fato de cerca de metade dos doentes não saberem que são portadores do problema. Isso é muito grave. Esta população não está tomando a única atitude que poderia minimizar o impacto da doença, que é o seu controle.

 

Como o problema se instala?

 

A diabetes começa de forma silenciosa  e sem dar sinais. Com os anos, o descontrole metabolico se acumula no organismo e, eventualmente, o primeiro sintoma pode ser uma complicação grave. Os pés dos portadores de diabetes estão particularmente em risco. Em sua evolução, a dibetes leva a perda de sensibilidade dos pés, à diminuição da circulação do sangue, a perda da capacidade de cicatrização e de defesa contra infecção. Segundo a American Diabetes Foundation, um diabético tem entre 15 e 45 vezes mais chance de sofrer uma amputação e isto está muito ligado a dois pontos que são justamente uma infecção e a falta de circulação de sangue. A falta de sensibilidade facilita a ocorrência de lesões nos pés, gerando o que chamamos de porta de entrada para germes ou bactérias. Como a capacidade de defesa nos diabéticos é diminuida, esta infecção pode se alastrar mais rapidamente, e pior, sem gerar sintomas em um primeiro momento, atrasando o diagnóstico e o tratamento. A presença de diabetes mal controlada leva à deterioração das artérias das pernas após algum tempo, prejudicando a condução do sangue até os pés, com chance de gangrena e amputação. Dois terços dessa população tem problemas circulatórios nas pernas e/ou em outros locais como o coração, rins e olhos (retina).

 

Prevenção:

 

A melhor forma de prevenir complicações é o diagnóstico e controle precoce do diabetes associado aos cuidados com os pés. O diabético deve examinar seus pés todos os dias à procura de pequenos ferimentos, evitar unhas mal cuidadas, tratar micoses entre os dedos, hidratar a pele e observar alterações da aparência normal do pé. Se houver limitação da visão, algo infelizmente não raro entre os diabéticos, uma segunda pessoa deve auxiliar nesta tarefa. O consumo excessivo de alcool acelera a perda de sensibilidade e deve ser evitado. O uso de sapatos adequados que sejam largos, macios e confortáveis é imprescindível, assim como sua inspeção antes de calçar a procura de objetos em seu interior. O diabético deve evitar ao máximo andar descalço ou com os pés desprotegidos, assim como colocar os pés em qualquer tipo de banho de imersão em água aquecida.

 

Tratamento:

 

O tratamento vai depender da forma como este pé está afetado e o grau de comprometimento dos diversos tecidos que o compõe. No caso de haver falta de circulação e na presença de uma ferida, é possível que seja necessário o restabelecimento da circulação para poder ocorrer a cicatrização dessa lesão. Esse restabelecimento se da por meio de cirurgias convencionais e endovasculares que permitem ao sangue fluir melhor em regiões onde antes não conseguia chegar de forma adequada e suficiente. Se houver uma ferida, mas a circulação estiver preservada, eventualmente cuidados locais baseados em curativos pode ser a terapia de escolha. Sempre que houver infecção associada, o emprego de antibióticos é recomendado. Infecções leves e superficiais podem ser inicialmente tratadas de forma ambulatorial com acompanhamento dos curativos e medicações por via oral, entretanto, quando a infecção for mais acentuada ou profunda, normalmente é recomendada a internação para cuidados específicos que envolvem além dos curativos, muitas vezes cirurgias para limpeza local e antibióticos injetáveis com maior poder de alcançar área em risco. Infelizmente, uma parte não desprezível dos pacientes portadores de pés diabéticos com complicações circulatórias e infecciosas graves procura o médico apenas em uma fase muito avançada. Em situações extremas, onde a chance de salvar este é ou mesmo esta perna gravemente comprometida for muito pequena, e ao mesmo tempo gera um grande risco de morte ao paciente. Nestas situações limites pode ser necessária a amputação desta parte do corpo. Todos os esforços devem ser empregados a fim de que se evite estas situações limites, e a melhor forma de evitá-las é a prevenção e o tratamento precoce, mesmo das menores e mais "inocentes" lesões.

 

Dica

 

Se você julga que seu pé, ou de um familiar, esteja em risco e possa ter um problema circulatório, converse com seu vascular. Ele é o especialista que tem conhecimento sobre prevenção, as melhores técnicas de investigação e sobre o tratamento desta perigosa complicação e pode, em conjunto com o paciente, definir a melhor forma de controlar este problema.

 

Fonte: SBACV e Prof. Dr. Alexandre Amato

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