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Respiração e controle da hipertensão

Controle da pressão

Imagine um inimigo silencioso, capaz de se infiltrar na vida de milhões de pessoas, ameaçando a saúde e o bem-estar de quem mal suspeita de sua presença. Esse adversário é a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e um problema de saúde pública no Brasil. A luta contra esse inimigo começa com a compreensão de como ele funciona e como podemos combatê-lo com as armas certas, tanto farmacológicas quanto não-farmacológicas.

Neste artigo, mergulharemos no mundo da hipertensão e exploraremos uma abordagem não-farmacológica pouco conhecida, mas surpreendentemente eficaz, que envolve a modificação do padrão respiratório. Ao longo da leitura, você descobrirá como a conexão entre os sistemas cardiovascular e respiratório, e os mecanismos neurais centrais e periféricos, podem ser a chave para melhorar o controle cardiovascular e, assim, enfrentar essa ameaça silenciosa que afeta a saúde de tantas pessoas ao redor do mundo. Será que a respiração lenta, uma técnica milenar do ioga, pode ser a resposta que procuramos para combater a hipertensão? Acompanhe-nos nesta jornada científica e descubra!

 

A hipertensão arterial sistêmica é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular e constitui problema de saúde pública no Brasil, onde sua prevalência é de cerca de 22% na população. De acordo com a literaturacada incremento de 10 mmHg resulta na duplicação do risco de óbito em pacientes hipertensos. Por ser um fator de risco independente para as duas principais causas de óbito no Brasil, o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral, sua prevenção primária por meio de intervenções farmacológicas e não-farmacológicas reduz a morbidade e a mortalidade resultantes da doença.

Dentre as terapias não-farmacológicas, as modificações do estilo de vida, como redução do peso corporal, restrição de sal na dieta, restrição do consumo de álcool e exercício físico de intensidade moderada, são indicadas como recurso no controle clínico da doença. Há evidências recentes de que a redução da freqüência respiratória pelo uso de dispositivos eletrônicos que interagem com o paciente, orientando-o a respirar de maneira mais lenta, diminui a pressão arterial em pacientes com hipertensão arterial de graus leve a resistente.

Os sistemas cardiovascular e respiratório apresentam estreita interrelação em seus mecanismos de controle neural.

Os barorreceptores são sensores de pressão, localizados nas paredes do seio carotídeo e do arco aórtico. Eles transmitem informações sobre a pressão arterial aos centros vasomotores cardiovasculares na base do cérebro.

Os barorreceptores do seio carotídeo são reativos aos aumentos ou diminuições da pressão arterial, enquanto os barorreceptores do arco aórtico são principalmente sensíveis aos aumentos da pressão arterial. Eles funcionam como mecanorreceptores, que percebem a variação da pressão arterial por meio do estiramento.

O aumento da pressão arterial causa aumento do estiramento dos barorreceptores e aumento da frequência de disparo dos nervos aferentes. O contrário ocorre com a redução da pressão arterial. Importante salientar que os barorreceptores são muito sensíveis às variações de pressão e a velocidade de variação da pressão. Os quimiorreflexos são os principais mecanismos de controle e regulação das respostas ventilatórias às mudanças de concentração do oxigênio e gás carbônico arterial. A ativação do quimiorreflexo causa aumento da atividade simpática, frequência cardíaca, pressão arterial e volume minuto.

A respiração é normalmente automática e controlada, inconscientemente pelo centro respiratório localizado na base do cérebro durante o sono e, até quando a pessoa está inconsciente. As pessoas também conseguem controlar a respiração quando querem, por exemplo, durante a fala, ao cantar ou simplesmente prendendo voluntariamente a respiração. Órgãos sensoriais, localizados no cérebro, na aorta e nas artérias carótidas monitoram o sangue e verificam os níveis de oxigênio e dióxido de carbono. Normalmente, uma elevada concentração de dióxido de carbono é o estímulo mais forte para se respirar mais profundamente e com maior frequência. Por outro lado, quando a concentração de dióxido de carbono no sangue é baixa, o cérebro diminui a frequência e a profundidade das respirações. Durante a respiração em repouso, um adulto normal inspira e expira cerca de 15 vezes por minuto.

Desse centro nervoso localizado na região do bulbo, na base do cérebro, partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios: diafragma e músculos intercostais.

Os sinais nervosos são transmitidos desse centro através da coluna espinhal para os músculos da respiração O mais importante músculo da respiração, o diafragma, recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial, o nervo frênico, que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se para baixo, através do tórax até o diafragma. Os sinais para os músculos expiratórios, especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção baixa da medula espinhal, para os nervos espinhais que inervam os músculos. Impulsos iniciados pela estimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração.

inspiração, que promove a entrada de ar nos pulmões, dá-se pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma abaixa e as costelas elevam-se, promovendo o aumento da caixa torácica, com consequente redução da pressão interna (em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões.

expiração, que promove a saída de ar dos pulmões, dá-se pelo relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma eleva-se e as costelas abaixam, o que diminui o volume da caixa torácica, com consequente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair dos pulmões.

Em condições normais, o centro respiratório (CR) produz, a cada 5 segundos, um impulso nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nos inspirar. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a frequência como a amplitude dos movimentos respiratórios, pois  possui quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pH do plasma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigênio que necessitam, além de remover adequadamente o gás carbônico. Quando o sangue torna-se mais ácido devido ao aumento do gás carbônico, o centro respiratório induz a aceleração dos movimentos respiratórios. Dessa forma, tanto a frequência quanto a amplitude da respiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR.

A ansiedade e os estados ansiosos promovem liberação de adrenalina que, frequentemente levam também à hiperventilação, algumas vezes de tal intensidade que o indivíduo torna seus líquidos orgânicos alcalóticos (básicos), eliminando grande quantidade de dióxido de carbono, precipitando, assim, contrações dos músculos de todo o corpo.

Se a concentração de gás carbônico cair a valores muito baixos, outras consequências extremamente danosas podem ocorrer, como o desenvolvimento de um quadro de alcalose que pode levar a uma irritabilidade do sistema nervoso, resultando, algumas vezes, em tetania (contrações musculares involuntárias por todo o corpo) ou mesmo convulsões epilépticas.

Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai a valores muito baixos. Isso ocorre especialmente quando se sobe a lugares muito altos, onde a pressão de oxigênio é muito baixa ou quando uma pessoa contrai pneumonia ou alguma outra doença que reduza o oxigênio nos alvéolos. Sob tais condições, quimiorreceptores localizados nas artérias carótida (do pescoço) e aorta são estimulados e enviam sinais pelos nervos vago e glossofaríngeo, estimulando os centros respiratórios no sentido de aumentar a ventilação pulmonar.

A manipulação do padrão respiratório é um recurso bem razoável para se induzir mudanças reflexas no sistema cardiovascular. A técnica de respiração lenta não é um método novo. Sua prática é bastante antiga no mundo oriental, em práticas do ioga. Alguns estudos demonstram a melhora do controle cardiorrespiratório em pacientes hipertensos e praticantes de ioga que utilizam uma técnica conhecida por Pranayama Bramari, a qual envolve padrões respiratórios lentos, enquanto as práticas que envolvem exercícios respiratórios de alta freqüência apresentam efeitos antagônicos.

 

Prof. Dra. Marisa Amato

 

 

 

Mariana Keller, professora de yoga com 20 anos de experiência, introduz o Pranayama, as técnicas respiratórias do yoga. Ela explica que o Pranayama visa controlar o Prana, a força vital, presente principalmente na respiração. A respiração adequada é essencial para a saúde e pode ajudar a aliviar o estresse e prevenir doenças. No contexto urbano, as pessoas costumam se distanciar do ritmo natural e enfrentar estresses constantes, o que pode levar a desequilíbrios e doenças. A prática do yoga e do Pranayama nos ajuda a resgatar uma respiração mais natural e consciente, aproximando-nos do nosso ritmo interno. Nos próximos vídeos, Mariana ensinará como realizar a reeducação respiratória e praticar o Pranayama.

Olá! Sou Mariana Keller, professora de yoga, já dou aula há 20 anos e eu estou aqui pra explicar um pouquinho sobre o Pranayama que é a parte das respirações, as técnicas respiratórias do Yoga Nos próximos vídeos, eu vou ensinar a parte prática de como você vai aprender os primeiros passos para entrar nesse mundo do Pranayama, para aprender a respirar melhor, com mais qualidade. E a gente precisa entender, antes de iniciar a parte prática, justamente um pouquinho da teoria, entender o que é a importância do Pranayama na saúde. A palavra Pranayama significa controle do Prana, a Yama significa controle, domínio. Essa palavra, a gente entende bem, controlar, dominar, mas a palavra Prana, Pranayama, ou domínio do prana, controle do prana, a palavra prana, ela não possui uma tradução literal, é uma palavra sânscrita que não possui uma tradução literal e a gente precisa entender bastante, se aprofundar nessa palavra, porque ela é de vital importância para o yoga, mas para a vida. Então a palavra Prana significa força vital. Existe algo de muito especial no ar que respiramos. A gente percebe isso de forma consciente, inconsciente, a gente associa muito a respiração à vida. Imagine que a gente poderia ficar meses sem tomar sol, alguns dias sem comer, poucos dias sem beber água, alguns segundinhos ou no máximo alguns minutinhos, sem respirar. Essa é relação da respiração com a sustentação da própria vida. Existe algo no ar que respiramos, o sopro da vida. O ar vital que sustenta nossa vida e segundo o yoga, a energia em movimento é o princípio cósmico da vida e esse movimento se dá em nós principalmente através da respiração. A gente logicamente também captamos Prana nos alimentos, da água, do sol, como eu falei, mas a principal fonte de Prana do corpo é a nossa respiração. E a grande questão é saber exatamente, como está essa respiração, como estou respirando, de forma profunda, lenta, tranquila, ou a minha respiração está mais ofegante, superficial, acelerada. Existe um ritmo, existe um ritmo cósmico, um ritmo do universo, da natureza, um ritmo natural e esse ritmo cósmico, a gente consegue perceber melhor principalmente nos fluidos líquidos, principalmente no mar. O vai e vém das ondas, das marés. Fica mais visível esse ritmo cósmico, ele se reflete de forma mais nítida para nós e talvez por isso o ser humano se sinta tão atraído pela praia. A maioria de nós se sente muito atraído, é um lugar em que a gente se sente energizado, revitalizado e ao mesmo tempo relaxa e acalma. Aquele vai e vem das ondas vai contagiando nosso ritmo interno, vai contagiando a nossa respiração, que passa a fluir e refluir meio que no balanço do mar. Acontece que quando nós moramos na cidade, nas cidades grandes, nós estamos nos distanciando desse, tanto dessa natureza, quanto nesse ritmo natural, mas também a própria cidade agrava ainda mais, acelera ainda mais esse ritmo interno, devido à correria do dia a dia, o estresse, e a gente vai se distanciando desse ritmo cada vez mais do nosso ritmo natural, porque somos natureza, somos a própria natureza e isso é uma das principais causas de desequilíbrios que vai gerar doenças pela visão do Yoga. Além de tudo isso, existe em nós seres humanos o mecanismo de sobrevivência e graças a esse mecanismo, que aciona o sistema simpático, de lutar ou fugir. Foi graças a esse mecanismo que a gente sobreviveu, quando vivíamos lá na natureza, em perfeita comunhão e harmonia com a natureza. Esse mecanismo era necessário, essencial, se deparássemos com situações de risco ou de perigos, risco real, você está ali para matar ou morrer. Se você deparasse com um animal selvagem, ocorre dentro de nós um mecanismo em que a respiração abdominal, principalmente, ela se trava, a respiração fica mais curta e ofegante, o coração acelera e todo o sangue é bombardeado para as extremidades das mãos e dos pés, para que você tenha energia, força para fugir ou lutar pela sua sobrevivência. Isso eventualmente é um sistema de mecanismo de sobrevivência natural. No entanto, essa vida na cidade agitada, estressada, faz com que esse mecanismo seja acionado, não só diariamente, como constantemente, é no trânsito, é uma entrega do trabalho um prazo que tem que cumprir, é o tempo inteiro. O nosso corpo entra nesse mecanismo, como se nós estivéssemos lutando pra sobreviver o tempo inteiro. O que a gente chama de stress hoje, no entanto esse estresse constante, ele vai desequilibrando o nosso corpo e, a gente sabe hoje, que o stress, ele é o terreno propício para a doença. Existem várias comprovações, inclusive científicas, não só do Yoga em que o stress, ele é a causa de diversas, para o aparecimento de diversas doenças, inclusive doenças genéticas, muitas vezes que estavam ali incubadas, talvez não aparecessem na sua vida se você tivesse uma qualidade de vida mais tranquila, já se sabe hoje, já se fala também que a doença genética não é determinante. Eu posso ser filha de uma pessoa que tenha, por exemplo, o meu caso pressão alta e não possa não desenvolver, se eu levar uma vida mais tranquila, se eu fizer exercícios físicos e tiver uma série de qualidade. Uma série de atitudes que vai melhorar minha qualidade de vida e uma dessas atitudes é de fato a gente olhar para essa respiração, perceber como ela está. A prática do Yoga, nos traz essa consciência da respiração, a consciência do prana, do ar vital. E é justamente resgatar essa respiração, resgatar uma respiração mais próxima do natural. Se você, inclusive, observar, não um recém nascido, mas um bebezinho de seis meses, seu cachorrinho em casa, seu gatinho, você vai ver como ele respira. Você vai ver que ele usa bastante o abdômen. Não que o ar vá para o abdômen, é bom deixar claro também, quando a gente usa o abdômen, na verdade, nós estamos fazendo com que os músculos do abdômen leve o ar para o fundo dos pulmões. Mas para deixar claro esse detalhe, que eu vejo que é um lugar de dúvidas. Quando a gente usa o abdômen no yoga, nós estamos, na verdade, acionando bastante a respiração, o sistema parassimpático que é justamente de repouso, o de retornar à normalidade, de resgatar essa respiração mais natural, lenta, silenciosa, desacelerando assim, um ritmo interno e se aproximando mais o nosso ritmo natural. Esse é o primeiro passo na prática do yoga, quando a gente começa a entrar em contato com o Pranayama. Uma vez que a gente cria essa base e que é essa respiração profunda, silenciosa, consciente, nasal e pausada e até ritmada. Aí a gente pode se aprofundar na prática do yoga e mesmo dos Pranayamas. Então os próximos vídeos, justamente, nós vamos aprender o passo a passo pra fazer essa reeducação respiratória, resgatar essa respiração natural. Seria legal que você acompanhasse, fizesse e treinasse os próximos vídeos como um passo a passo para chegar nesse ponto da respiração mais completa, mais ampla, consciente e profunda. Espero que você tenha gostado desse vídeo, espero você nos próximos, unindo as mãos à frente do peito e do coração em gratidão e reverência às forças divinas que fluem e refluem através de cada um de nós. Namastê!

  • Pinheiro CH da J, Medeiros RAR, Pinheiro DGM, Marinho M de JF. Modificação do padrão respiratório melhora o controle cardiovascular na hipertensão essencial. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2007 Jun;88(6):651–9. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2007000600005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
  • Rasia-Filho AA, Rigatto KV, Lago PD. Mecanismos Neurais Centrais e Periféricos de Gênese e Controle a Curto Prazo da Pressão Arterial: da Fisiologia à Fisiopatologia. Soc Cardiol do Rio Gd do Sul [Internet]. 2004;33(Figura 1):1–7. Available from: http://sociedades.cardiol.br/sbc-rs/revista/2004/02/artigo03.pdf
  • Barros S de. Efeito da respiração lenta na pressão arterial e na função autonômica em hipertensos. 2017;

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