Lipedemas afetam especialmente as mulheres?

Lipedemas nas mulheres

Se você já ouviu falar alguma vez sobre lipedema, deve ter percebido que a referência sempre é ao corpo feminino. Mulheres com pernas grossas, com grandes deposições de gordura e parte superior do corpo mais estreita são os exemplos mais comuns.

O fato é que, sim, as mulheres fazem parte do grupo que é afetado prioritariamente pelo lipedema. Estudos realizados por pesquisadores e médicos especialistas sugerem que cerca de 11% da população sofre com o lipedema, uma doença crônica que não tem cura.

Apesar da alta porcentagem, muitas dessas mulheres nem imaginam que têm o problema. Isso acontece porque o lipedema é facilmente confundido com outras doenças com sintomas semelhantes, como a obesidade e o linfedema.

Portanto, o número de mulheres com lipedema pode ser até maior do que o identificado, uma vez que faltam diagnósticos precisos que classifiquem a doença do jeito correto.

Médicos e pacientes precisam se atentar mais aos sintomas e, através de avaliações e exames, descobrir o que de fato está afetando aquela mulher. E, só a partir daí, indicar o tratamento adequado.

Por que o lipedema afeta as mulheres?

Cerca de 11% das mulheres têm o lipedema, como já foi dito. Raros são os casos em que os homens são afetados pela doença. Mas, por que isso acontece? Por que essa incidência tão grande e preponderante no público feminino?

Analisando as causas do lipedema, conseguimos identificar as razões pelas quais ele atinge prioritariamente as mulheres. Veja a seguir:

Forte fator genético

Uma das causas do lipedema é a predisposição genética. Cerca de 60% das mulheres já nascem com os genes que geram o acúmulo da gordura nas pernas. Esses genes, apesar de sabermos que existem, ainda não foram identificados. Desta forma, não há como alterá-los.

Portanto, uma mulher cuja mãe, tia ou avó tenha sofrido com o lipedema tem uma probabilidade muito grande de também apresentar a característica. Um detalhe importante é que o lipedema não se apresenta, necessariamente, em todas as gerações.

Pode ser que em uma ou outra geração da família ele não se desenvolva. Mas, isso não quer dizer que a doença não vá surgir nos próximos descendentes. É quase como uma característica genética que pode se manifestar ou não, mesmo com um intervalo de tempo grande entre os seus portadores.

Desencadeado por alterações hormonais

Até aqui você já sabe que o lipedema tem origem genética. Mas, quando ele começa a surgir de fato? O lipedema tem uma relação direta com a presença e desequilíbrio de alguns hormônios presentes fortemente no público feminino, que são os hormônios de crescimento e sexuais.

Por isso, o lipedema se manifesta após fases da mulher em que ela sofre com grandes alterações hormonais relacionadas ao desenvolvimento corporal e sexualidade. São elas:

Final da puberdade

Momento em que ocorre a transição da fase infantil para a adolescência. Geralmente, vai dos 8 aos 13 anos de idade nas mulheres. A adolescente começa a acumular gordura, e apresenta sinais leves do lipedema.

Gestação

Momento em que a mulher passa por uma grande mudança física e hormonal. Além de engordarem muito na gravidez, devido a razões próprias desta fase, as mulheres experimentam momentos de altos e baixos nos hormônios. É esse desnivelamento que faz surgir o lipedema.

Outro fator que pode piorar a doença é a depressão pós-parto, que faz com que as mulheres busquem na comida em excesso uma saída para a tristeza profunda e para as crises de ansiedade. As alterações que a gravidez provoca na vida da mulher são muito intensas.

Concluindo, a gravidez é um fator preponderante para o surgimento ou agravamento do lipedema. Inclusive, faz parte de vários relatos de mulheres que perceberam o aumento exacerbado de gordura nas pernas nessa fase da vida.

Menopausa

A menopausa é o período que marca o final do ciclo reprodutivo da mulher. A menstruação vai embora e os hormônios, mais uma vez, ficam bastante bagunçados. Também é um período propício para o lipedema aparecer. A menopausa acontece em média a partir dos 45 anos.

Observe os sinais e procure ajuda

Como identificar o lipedema e buscar ajuda? Apesar de ser confundido quase sempre com a obesidade e com o linfedema, os sintomas do lipedema possuem pontos distintos que facilitam a sua descoberta. Veja abaixo:

Gordura acumulada nas pernas

O principal sintoma do lipedema é a gordura que se deposita na região dos membros inferiores. Em alguns casos, pode atingir os braços também, mas não é tão comum. Por mais que faça dietas e perca peso, a mulher não consegue eliminar essa gordura das coxas.

Inchaço que não diminui

O inchaço se assemelha com retenção líquida, mas é diferente porque é um inchaço permanente. É um dos sintomas que confundem o lipedema com o linfedema.

Hematomas frequentes

Por causa da fragilidade capilar provocada pelo lipedema, a mulher apresenta manchas roxas constantes. Na maioria das vezes ela não sabe o que causou aquele hematoma. O que acontece é que, com a sensibilidade da região, qualquer atrito, por menor que seja, é capaz de formar lesões.

Dor nas pernas

A dor surge nos membros inferiores de forma generalizada, o que pode levar ao diagnóstico do linfedema por engano. Mesmo em repouso, as pernas doem. O joelho apresenta dor também e, além disso, as pernas ficam extremamente cansadas no final do dia.

Celulites em excesso

A celulite na mulher com lipedema acontece de forma exagerada. Quando apalpa as pernas, a mulher costuma sentir nódulos internos, muitas vezes doloridos.

Corpo assimétrico

Como se deposita nas pernas, o excesso de gordura deixa o corpo assimétrico. Ou seja, a parte de baixo do corpo é mais larga do que a parte de cima. É como se a parte superior não combinasse com a parte inferior, como se não pertencessem à mesma mulher.

Muitas mulheres já ouviram de médicos algumas afirmações como “emagreça que a gordura das pernas somem”, “é problema de família, não há o que fazer”, “é só gordura acumulada” etc. A verdade é que o lipedema é o acúmulo de gordura doente. Provoca dor e vários desconfortos, inclusive a perda da mobilidade. É uma doença crônica, que não tem cura, mas tem tratamento. Quanto mais rápido ela for descoberta, melhores serão os resultados. 

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