FIBRILAÇÃO ATRIAL: Importância do seu tratamento adequado

O que é fibrilação atrial (FA)?
Para entender o que é fibrilação atrial antes é preciso esclarecer a anatomia do coração e como ele funciona.
O coração trabalha como uma bomba impulsionando o sangue para todas as regiões do corpo, é formado por quatro câmaras, dois átrio e dois ventrículos. O átrio direito recebe o sangue do corpo e o esquerdo dos pulmões. Os ventrículos que ficam abaixo são as principais bombas. O ventrículo direito bomba o sangue para os pulmões, para ser oxigenado e o esquerdo, bomba o sangue já oxigenado para o corpo inteiro.
Essa bomba é coordenada por um sistema elétrico que transmite ao músculo cardíaco a ordem para ele bater. O nódulo sinusal, fica no átrio direito e funciona como marca-passo cardíaco. Daí sai o comando para o coração bater. Esse impulso elétrico atravessa o coração inteiro através do músculo cardíaco.
Cada impulso elétrico nasce do átrio. Essas câmeras contraem pelo estimulo elétrico, o que ajuda o sangue a fluir para o ventrículo  e o impulso nos ventrículos, causa a contração maior, impulsionando o sangue para fora do órgão.
Quando o coração está em FA, quer dizer que o átrio perdeu o comando, está com problema no  seu sistema elétrico. Ele perde o ritmo regular e passa a bater desordenadamente e com frequência maior.
 

·        está associada ao aumento de 5x no risco de AVC
·       é a arritmia mais frequente em adultos com mais de 65 anos de idade.
·       está associada ao aumento de 5x no risco de AVC
·      15 a 20% de todos os AVC estão associados à FA
·      os AVC associados à FA estão frequentemente associados a maior comprometimento e até à morte
·      o controle dos Fatores de Risco Cardiovasculares pode prevenir mais da metade dos casos de FA

O que causa a FA?
Geralmente a causa da FA é desconhecida, mas alguns fatores de risco aumentam a chance de seu aparecimento. Ocorre geralmente em pacientes com insuficiência coronariana ou com infarto prévio.
Outras causas são:
·      Hipertensão arterial
·      Cirurgia cardíaca recente
·      Inflamação cardíaca, ou seja miocardites ou pericardites
·      Cardiopatias congênitas
·      Hipertireoidismo
·      Doença aguda ou crônica do pulmão
·      Diabetes
·      Abuso do álcool
·      Uso de drogas estimulantes
 
Por que é necessário tratar a FA?
Mesmo sem apresentar sintomas a presença de FA aumenta o risco de :
Acidente vascular cerebral ( AVC )
Embolias sistêmicas
Insuficiência cardíaca
Cansaço e fadiga crônica
Outros problemas de arritmia
Insuficiência circulatória
Por que a FA leva algumas pessoas a terem um AVC?
Na FA o átrio não consegue bombear o sangue eficientemente para o Ventrículo, pois bate desordenadamente, como uma gelatina. Nessas condições o sangue fica aí, represado o que propicia a formação de trombos. Se um desses trombos se desprende e cai na circulação( êmbolo ), cerebral, pode ocasionar um AVC, se cai na circulação sistêmica e para em algum membro, ocorre o tromboembolismo periférico.
Todos os pacientes com FA tem risco de apresentarem  AVC, entretanto, algumas pessoas apresentam riscos maiores
 
O que leva uma pessoa a ter um rico de AVC, maior do que outras?
Os pacientes que tem FA, com mais de 75 anos, hipertensos, com insuficiência cardíaca, diabéticos ou que já tiveram algum episódio prévio de AVC ou mesmo AVC transitório, apresentam risco elevado de recorrência.
 
O que é insuficiência cardíaca ( IC) ?
IC é quando o coração não bomba o sangue suficiente para suprir as necessidades do organismo. Isso pode ocorrer na FA, porque o coração fica batendo muito rápido, não consegue se encher adequadamente e portant não bomba o suficiente.
O sangue oxigenado pelo pulmão, que deve retornar ao coração para ser distribuído ao organismo, não consegue sair dos pulmões. Esse sangue, represado  nos pulmões causa fadiga e dispneia ( respiração curta)
O sangue oxigenado, não indo para o cérebro, causa fadiga mental e física
Também pode aparecer edema nos pés, pernas, geralmente, referida como ganho de peso.
 
Quais são os sintomas da FA?
Muitas pessoas com FA não sentem nada, enquanto outras referem palpitação, mudança no ritmo e desconforto no peito. Tontura, sudorese, dor ou opressão precordial também podem ser referidos.
 
Qual o melhor tratamento para FA?
O tratamento correto depende da causa, do tipo de FA, dos sintomas e do nível de comprometimento cardíaco.
O objetivo do tratamento são três metas:
1-controlar a FC
2-reverter ao ritmo normal, se possível
3-prevenir a embolia
 
1-Como controlar a FC
Existem medicamentos como os betabloqueadores, os digitais e os bloqueadores do canal de cálcio que ajudam a  diminuir a frequência cardíaca.
 
2-Como reverter ao ritmo normal?
Deve-se tentar voltar ao ritmo normal, entretanto, só é  possível, quando não existe comprometimento cardíaco associado e a FA é de instalação recente. Esse procedimento pode ser feito com medicamentos ou com a cardioversão elétrica, ou seja o choque elétrico.
3-Como prevenir a embolia?
A prevenção da formação de êmbolos no coração, decorrente da FA, é parte fundamental do tratamento.
Os medicamentos mais frequentemente utilizados são a varfarina e o ácido acetil salicílico (AAS). Porém hoje existe uma nova classe de medicamentos que também podem ser prescritos , são eles: dabigatran, rivoraxaban e apixaban.
Todos esses medicamentos reduzem a habilidade do sangue de se coagular, o que ajuda a diminuir o risco do tromboembolismo em pacientes com FA.
 
A varfarina é o medicamento mais frequentemente usado. É necessário o controle do seu efeito pelo teste sanguíneo do INR. A medida do INR e o ajuste da dose, permitem mantê-la dentro da faixa ideal, para não formar trombo e não levar à hemorragia.
 
Os novos medicamentos dispensam o controle laboratorial e parecem ser uma alternativa apropriada para diminuir o risco de TEC
 
O AAS tem efeito anticoagulante diminuindo a adesão plaquetária, é frequentemente utilizado em pacientes com menos risco.
 
Os anticoagulantes  se não forem usados na dose certa podem, quando de menos,  não ter a função desejada e quando em excesso, provocar hemorragias. Sabe-se que  esses medicamentos apresentam vantagens e desvantagens na prevenção da TE causada pela FA, porém os benefícios superam os riscos e portanto o uso de anticoagulante na FA é muito importante.
 
 
Existem outros tratamento para a FA?
Sim, existe a ablação por cateter, que é a destruição das células elétricas por radiofrequência, associada ao implante de marca-passo. Esse procedimento regula a FC dos ventrículo e diminui os sintomas, porém os átrios continuam em FA e  o uso de anticoagulantes  continua a ser  necessário.
Existe também a cirurgia de Maze, realizada como uma cirurgia tradicional, a céu aberto, pela abertura do tórax, onde são feitas algumas cicatrizes em locais estratégicos no átrio.
Esses tratamentos tem sua indicação precisa e só podem ser realizados em pacientes que não apresentem doença cardíaca associada.
 
 
O que é possível fazer para prevenir a FA?
O controle dos fatores de risco cardiovasculares, tais como  hipertensão arterial,  tabagismo,  diabetes e obesidade pode prevenir mais da metade dos casos de FA.

 

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