Hematomas, equimoses e petéquias

Foto de banco de imagens Dreamstime

Hematoma

Foto de banco de imagens Dreamstime

Entrevista com a Dra Laura sobre hematomas.

 

 

Transcrição:

Locutor: Fique por dentro... Entrevista

Orador A: Hoje recebemos a Laura Silveira. Ela que é dermatologista da Amato – Instituo de Medicina Avançada. Ela vai conversar com a gente. Tudo bom Doutora Laura? Seja bem vinda ao programa!

Orador B: Tudo bom? Bom dia! Obrigada pelo convite.

Orador A: Nós que agradecemos a senhora ter aceito aqui o convite e estar conosco pra falar sobre hematomas. Pelo próprio nome a gente né, a gente já percebe que tem haver com sangue não é? E o que que são os hematomas e o que que os causam?

Orador B: É, então, os hematomas por definição, eles são coleções de sangue presentes fora dos vasos sanguíneos. Então por isso, pode acontecer em qualquer parte da pele, ou também em outros órgãos internos. Eles normalmente ocorrem em consequência da lesão da parede vascular. Isso gera passagem das células sanguíneas para o tecido. Então quando ocorrem na pele, são chamados de pancadas, popularmente, mas a depender do tamanho, tecnicamente eles podem ser classificados como: equimoses, petéquias e púrpuras.

Orador A: Uau!

Orador B: E o...

Orador A: Sim, sim. Continua Laura, pode falar.

Orador B: E assim, e eles podem gerar manchas. Justamente por conta da decomposição da hemoglobina. Já que ela é formada por células que quando elas estão presentes na pele, elas podem manchar. Especialmente se o paciente não tiver certos cuidados.

Orador A: Então Doutora Laura, vamos voltar a esses nomes que a senhora falou pra gente. Repete por favor.

Orador A e B: (Risos)

Orador B: Então, a pancada, que é a mais comum, você pode chamar que equimose. Especialmente se ela tiver mais de um centímetro.

Orador A: Certo!

Orador B: Quando ela é menorzinha, pode ser chamada de púrpura. E aqueles pontinhos bem pequenos, eles podem ser chamados de catequinas.

Orador A: Certíssimo! Bom, púrpura já lembra aí o roxo, não é? (Risos)

Orador B: Exatamente.

Orador A: Eu queria que você falasse um pouquinho pra gente aí sobre essas cores. Porque que às vezes fica roxo, às vezes fica vermelho, às vezes fica amarelo, tem vezes que fica preto. Quando que a gente da pra saber se a pancada foi mais forte? Tem a ver com a cor? Quando é que a gente sabe que tá melhorando? Vai, vai ficando de que cor? Queria que você explicasse pra gente, Doutora Laura.

Orador B: É, isso é bem interessante. A diferença na coloração é relacionada ao tempo de evolução desse hematoma. Então, quando o sangue sai pra pele ele tá com a hemoglobina cheia de oxigênio, então por isso ele é bem vermelhinho.

Orador A: Certo.

Orador B: À medida que esse oxigênio vai sendo perdido ele vai se tornando azulado, preto. E aí a partir daí outros subprodutos são gerados. Então depois do preto normalmente vem o verde. Por quê? Porque é gerado um produto que é chamado biliverdina.

Orador A: Certo.

Orador B: Que posteriormente é gerado um produto mais amarelado, que é a bilirrubina e a hemossiderina. Então mais ou menos a gente chama isso de espectro equimótico. É justamente o tempo que leva para essa hemoglobina ser metabolizada. Então dá pra saber, mais ou menos, quanto tempo tem aquele hematoma, a partir da cor que ele está.

Orador A: Que interessante Doutora Laura. Para a gente é um mundo diferente esse, porque às vezes a gente dá uma pancada e nem sabe aonde foi e de repente alguém aponta: “Que que foi isso no seu joelho?” Daí se olha e fala: “Nossa! Nem tinha reparado.” Daí vai passar a mão tá doendo, não é?

Orador B: É verdade.

Orador A: E às vezes são mais graves e você nunca esquece, na verdade, a dor que você sentiu e o porquê tá daquele jeito, não é? E Doutora Laura, quando a gente faz um machucado não é? Dá uma pancada, enfim, cai de uma escada, fica aquela dor e aos poucos a gente vai vendo toda essa coloração que você falou para nós. Quando que isso dói? Quando que isso passa a ficar daquela cor que chega a assustar, mas já não tá mais doendo?

Orador B: É, na verdade o que a gente percebe é que no momento da pancada você só vai sentir a dor local e um certo inchaço, porque o sangue ainda ele não vazou completamente pros tecidos.

Orador A: Certo.

Orador B: Depois de um tempo, ele vai ficando ligeiramente rosado, avermelhado, e posteriormente, em geral mais ou menos, em torno de 2 ou 3 dias, é que vai ficando da cor do espectro equimótico mesmo. A partir do 22º dia, em geral, já tá desaparecendo essa lesão. Em torno de 7, tá mais ou menos amarelado, esverdeado. Isso lógico vai ter as diferenças individuais, de cada individuo, mas é mais ou menos assim que segue a ordem.

Orador A: Que interessante Laura. E eu estava falando aqui com a minha companheira que apresenta o programa e como nós somos muito branquinhas, quando a gente se machuca, fica logo assim a mostra. É a questão de a pele ser mais clara e aparecer mais? Ou podem ter peles que os machucados podem ser mais intensos e outras não?

Orador B: É, justamente com os pacientes mais claros, que tem um fototipo, que a gente chama, mais claro.

Orador A: Sim.

Orador B: Pelo contraste com a hemoglobina, as lesões são bem mais evidentes. Num paciente com fototipo mais alto, quer dizer que tem uma coloração de pele mais escura...

Orador A: Certo.

Orador B: ...esse contraste fica um pouco camuflado, mas mesmo assim dá para perceber, a diferença.

Orador A: Certo, Doutora Laura. E os senhores né, senhoras, as pessoas que já passaram dos 60 anos, 70, e quando vai ficando assim com mais idade, os 80, os nossos avós, a gente percebe que eles o tempo todo estão machucados, não é? Assim, qualquer batida, qualquer lesão, fica às vezes um roxo gigantesco na pele, não é? E muitas vezes eles falam que nem sabem quando aquilo aconteceu e tudo mais. Então, nas peles dos bebês e das pessoas com mais idade é... As pancadas é, geram talvez uma coloração maior, os vasos sanguíneos talvez jorrem mais sangue. Como é que funciona isso?

 Orador B: Nos idosos, existe uma entidade que a gente chama de purpura senil, justamente por quê? A pele do idoso, ela parece um papelzinho, ela é muito fina, então ela tem pouca sustentação. Isso justamente pela perda do colágeno. Então esses vasos eles ficam mais vulneráveis a traumas, a gente chama isso de fragilidade capilar. Às vezes, uns pacientes usam medicações que promovem isso.

Orador A: Olha.

Orador B: Às vezes uso de cortiscoteróide, às vezes o uso de ácido acetil salicílico, algumas medicações que chamam de cumarínico. Deixam os pacientes mais susceptíveis a presença desses hematomas e dessas pancadas. Mas é justamente pela perda da estrutura que protege os vasos.

Orador A: Interessantíssimo Doutora Laura! Tirando varias dúvidas de todos nós hoje, nessa manhã. E eu queria te perguntar também, a respeito de algo que é difícil, quando a gente leva aquela pancada, não é? Fica aquela cor escura, vai demorando pra sair, e a gente tava comentando hoje aqui no comecinho do programa, que teve um jogador, não é? Que jogou mesmo estando com aquela pele extremamente roxa. Quando a gente leva uma pancada, a gente tem que ficar de repouso durante esses dias que aconteceram? Principalmente quando for, quando a pancada for grande ou não? Ou a vida segue-se normalmente e aquilo vai desaparecendo aos poucos?

Orador B: O mais importante do repouso é logo após o trauma. Justamente porque é naquele momento que o vaso, ele tá aberto, e aí o sangue tá saindo. Então você tem que fazer de tudo para diminuir o aporte sanguíneo para aquela região. Então o repouso é muito importante, você gerar uma compressão, apertar aquele lugar de forma delicada, é obvio, mas colocando um gelo porque você vai tá tampando o sangramento e diminuindo o volume do vaso. Outra coisa, a gente pode se valer também da gravidade, se você puder elevar aquele membro, tirar ele da posição pendente, vai diminuir também o aporte sanguíneo. Então isso é importante pra diminuir no momento. Depois que fica roxo, na verdade, é o processo normal de degradação. Não vai muito alterar, se vai aumentar depois de um tempo, mais ou menos, 24 e 48 horas, já não tem mais muito sentido, a não ser que o paciente mantenha o fator, por exemplo, é um paciente que já usa o ácido acetil salicílico ou ele usa algum cumarínico, aí ele pode ter um novo sangramento, mas frente aquele primeiro sangramento não importa muito, se depois ele não tá tendo repouso.

Orador A: Muito importante aqui tudo que ela tá esclarecendo para a gente hoje. Pra quem chegou agora na nossa entrevista, estamos falando com a Dermatologista Doutora Laura Silveira. E Doutora, então, tá certo aquelas indicações que os familiares falam, não é? Você bateu, eles já falam: “Correm para por gelo”? Você tá morrendo de dor, você só quer ficar sozinho, não é? E todo mundo: “Põem gelo, põem gelo!” e você diz: “Eu só quero sentir minha dor”, não é? Fala: “Corre pra por gelo, porque  senão depois não adianta.” Então, até quanto tempo o gelo, você falou pra gente colocar e a perna pra cima. Depois de até quantas horas, isso ainda pode amenizar aí os efeitos?

Orador B: Depende muito do processo de coagulação da pessoa.

Orador A: Certo.

Orador B: Se ela tem uma coagulação normal, é uma criança, é um adulto que não toma nenhuma medicação, o mais importante é essas primeiras horas, nas primeiras 6 a 8 horas é que pode ter um re-sangramento. Mas em geral, você ficando em repouso na primeira hora, colocando um gelo, fazendo uma compressão, você vai evitar que aquele hematoma fique tão grande.

Orador A: E tem...

Orador B: Nos outros casos, daqueles pacientes que tomam alguma medicação que promove o sangramento, ou que nasceram com algum problema já genético que diminuam a coagulação, esses merecem um repouso maior.

Orador A: Olha Doutora, você falou de algo interessante, que já nasceram, dai você já falou, no caso, sobre recuperação do corpo, não é? Mas tem gente que já nasceu com algumas manchas no corpo e às vezes elas são roxas, ao que se deve isso?

Orador B: É, alguns, na verdade a melanina às vezes ela se confunde um pouco. Especialmente se ela tá muito profunda. Ela fica naquela coloração um pouquinho aroxiada, meio azulada. Então tem manchas que a gente chama de manchas mongólicas, que são muito comuns no recém-nascido e na verdade não tem nada a ver com roxo. Isso é às vezes até confundido na emergência, alguns pediatras ficam com medo, assustado, se aquela criança foi agredido ou não. E na verdade é apenas uma mancha. É a melanina que quando tá muito profundo na pele, ela tem essa coloração aroxiada.

Orador A: Muito legal tirar as nossas dúvidas aqui com a Doutora Laura Silveira. E pra terminar, Doutor, eu queria que você falasse também aqui pra gente, se por um acaso uma mancha pode acabar ficando aí pra sempre, sem que ela vá embora. Muitos falam sobre: “Ah não pode tomar sol” ou “Ah pode tomar sol”. Tem alguma coisa que não se pode fazer?

Orador B: Realmente o sol, ele estimula uma pigmentação maior. Então o mais importante é você diminuir o tamanho do sangramento. Algumas medidas podem ser feitas na fase aguda para diminuir o tempo daquele hematoma. Então tem alguns géis de mucopolissacarídeo, alguns géis que tem escina, eles parecem promover uma reação que diminui o tempo de degradação daquela hemoglobina. Fora isso, a exposição solar realmente deve ser evitada, especialmente se o paciente tem alguma ocupação que toma muito sol. A mãe deve realmente passar o filtro solar na criança, porque aquele pigmento pode se tornar fixo, especialmente naqueles hematomas muito grandes, muito profundos, que os cremes, as medidas em gerais, que a gente pode tentar pra tirar a mancha, às vezes não consegue alcançar o pigmento quando ele é muito profundo.

Orador A: Muito obrigada Doutora Laura pelas explicações que você trouxe para a gente hoje. Queria agradecer o seu tempo aqui conosco. Ela que falou a respeito dos hematomas pra nós. Já tá convidada aqui, sempre trazendo esclarecimentos aos nossos ouvintes.

Orador B: Eu que agradeço pelo convite. Na verdade, o que eu acho mais importante sobre o tema, é alertar a população, se você tiver um trauma, aparecer um hematoma, normal. Mas se você começar a estar tendo muitos hematomas, especialmente associado a sangramento e seja quando escova os dentes, nas fezes, na urina, você precisa procurar um atendimento médico, pra excluir qualquer doença que possa estar diminuindo a tua coagulação. E isso pode ser realmente muito perigoso.

Orador A: Excelente! Hoje nós conversamos com a Dermatologista da Amato – Instituto de Medicina Avançada, Doutora Laura Silveira. Eu queria agradecer pela sua companhia aqui com a gente e te esperar em outras entrevistas.

Orador B: Muito obrigada e tenha um bom dia.

Orador A: Excelente dia! Tchau, tchau!

Orador B: Tchau, tchau.

O que você acha deste artigo?: 
0
No votes yet